Setembro Amarelo: Prevenção do Suicídio em Crianças e Adolescentes.

Setembro Amarelo é um mês de grande significado no calendário de conscientização ao redor do mundo. É o período dedicado à prevenção do suicídio, uma questão de extrema relevância que afeta pessoas de todas as idades, incluindo crianças e adolescentes. Meu nome é Miriam França, sou mãe, psicóloga e hoje quero falar com vocês sobre como os pais podem desempenhar um papel crucial na prevenção do suicídio entre os jovens, enquanto promovem uma cultura de valorização da vida, autocuidado e resiliência em suas famílias.

Neste artigo, exploraremos os sinais de alerta que podem indicar que uma criança ou adolescente está em perigo, as estratégias para conversar abertamente sobre o suicídio com eles e as medidas que podem ser tomadas para prevenir essa tragédia. Também discutiremos a importância do autocuidado dos pais, pois, para serem fortes apoios, vocês também devem cuidar de si mesmos.

Embora seja um assunto delicado e muitas vezes difícil de abordar, a prevenção do suicídio em crianças e adolescentes exige nossa atenção constante. As estatísticas mostram que, em muitas partes do mundo, o suicídio é uma das principais causas de morte entre jovens, e os sinais de alerta muitas vezes passam despercebidos. Como pais e cuidadores, temos a responsabilidade de educar, apoiar e proteger nossos filhos, e isso inclui fornecer a eles ferramentas necessárias para enfrentar os desafios emocionais que a vida pode apresentar.

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Compreendendo o suicídio em crianças e adolescentes:

Embora seja uma realidade difícil de encarar, é essencial reconhecer que o suicídio não é uma exclusividade de adultos; afeta jovens em todo o mundo. De acordo com dados de várias organizações de saúde, o suicídio é uma das principais causas de morte nessa faixa etária.

De acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde o suicídio é a 4ª maior causa de morte em jovens de 15 a 29 anos e transtornos mentais e consumo de drogas tem relação direta  com casos de suicídio. É importante notar que, embora os números possam ser assustadores, cada estatística representa uma vida que poderia ter sido salva. Portanto, a conscientização e a prevenção são fundamentais.

Sinais de alerta para o suicídio em jovens:

É importante lembrar que a presença de um ou mais desses sinais não necessariamente confirma que a criança ou adolescente está em risco de suicídio, mas deve servir como um alerta para uma investigação mais aprofundada. Se você observar esses sinais, a abordagem deve ser feita com cuidado, empatia e apoio profissional, se necessário.

Problemas de Saúde Mental:

Transtornos como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e esquizofrenia aumentam significativamente o risco.

Mudanças de comportamento:

Oscilações extremas de humor, passando de tristeza profunda para uma euforia aparentemente repentina, perda de interesse em atividades que costumavam ser apreciadas, como hobbies, esportes ou atividades sociais podem ser indicativos de problemas emocionais. Alterações drásticas no apetite, ganho ou perda significativa de peso, insônia ou excesso de sono, desinteresse na aparência e higiene pessoal

Histórico Familiar:

A presença de casos de suicídio ou transtornos mentais na família pode aumentar o risco.

Isolamento Social:

Sentimentos de solidão, isolamento social e falta de conexões emocionais são fatores de risco. Uma criança ou adolescente que costumava ser social e de repente se isola dos amigos e familiares pode estar enfrentando dificuldades emocionais.

Bullying:

O bullying pode causar um grande impacto na saúde mental dos jovens e contribuir para o risco de suicídio.

Abuso de Substâncias:

O uso de álcool e drogas também está ligado a um aumento no risco de suicídio.

Eventos Traumáticos:

Experiências traumáticas, como abuso físico, sexual ou emocional, podem ser fatores desencadeadores.

Acesso a Meios Letais:

O acesso fácil a armas de fogo ou outros meios letais aumenta o risco.

Problemas Escolares:

Pressões acadêmicas, bullying escolar, falta de interesse, problemas de concentração e desempenho acadêmico ruim como reprovações podem desempenhar um papel importante.

Expressão de Ideias Suicidas ou Autodestrutivas:

Se uma criança ou adolescente fala abertamente sobre suicídio, morte ou autodestruição, isso deve ser levado a sério, mesmo que pareça ser uma tentativa de chamar a atenção. Tais declarações indicam que a pessoa está sofrendo emocionalmente e precisa de ajuda imediata.

Autolesões:

A prática de autolesão, como cortar-se, queimar-se ou infligir ferimentos a si mesmo, é um sinal claro de que a pessoa está lidando com dor emocional profunda e precisa de ajuda imediata.

Como conversar sobre suicídio com seus filhos:

A prevenção do suicídio em crianças e adolescentes exige um ambiente de apoio e comunicação constante. Conversar sobre o suicídio é uma medida eficaz para proteger a vida e o bem-estar de seu filho.

Estabeleça um Ambiente de Confiança:

Antes de iniciar qualquer conversa sobre o suicídio, é fundamental estabelecer um ambiente onde seu filho se sinta à vontade para compartilhar seus pensamentos e sentimentos. Demonstre empatia, ouça atentamente e evite julgamentos. Mostre que você está ali para apoiar e não para criticar.

Escolha o Momento Adequado:

Escolher o momento certo para a conversa é crucial. Encontre um ambiente tranquilo e livre de distrações, onde vocês possam falar sem pressa. Evite abordar o assunto durante uma discussão acalorada ou quando seu filho estiver claramente angustiado.

Use uma Linguagem Apropriada à Idade:

Adapte sua abordagem à idade e ao nível de compreensão do seu filho. Use uma linguagem simples e adequada para explicar o que é o suicídio e por que é importante conversar sobre isso. Evite jargões ou informações excessivamente detalhadas, que podem ser confusas ou assustadoras.

Faça Perguntas Abertas:

Em vez de fazer perguntas que exijam apenas respostas “sim” ou “não”, faça perguntas abertas que incentivem seu filho a expressar seus pensamentos e sentimentos. Por exemplo, em vez de perguntar “Você já pensou em suicídio?”, você pode perguntar “Como você se sente ultimamente?” ou “Há alguma coisa que tem te preocupado muito?”.

Ouça com Empatia:

Quando seu filho começar a compartilhar, ouça atentamente e com empatia. Não interrompa, não julgue e não tente oferecer soluções imediatas. Às vezes, tudo o que uma criança ou adolescente precisa é de alguém que os escute e compreenda.

Evite Minimizar ou Desvalorizar Sentimentos:

Evite frases como “Isso é bobagem” ou “Você está só fazendo drama”. Os sentimentos do seu filho são reais para ele, e minimizá-los pode fazê-lo se sentir ainda mais isolado. Mostre que você leva seus sentimentos a sério.

Ofereça Apoio e Ajuda Profissional:

Se durante a conversa você perceber que seu filho está enfrentando problemas emocionais sérios ou pensando em suicídio, ofereça apoio imediato. Lembre-se de que você não precisa enfrentar essa situação sozinho. Consulte um profissional de saúde mental para avaliação e orientação.

Mantenha o Diálogo Aberto:

Uma conversa única não é suficiente. Mantenha o diálogo aberto com seu filho. Pergunte regularmente como ele está se sentindo e esteja disponível para ouvir sempre que ele precisar. O apoio contínuo pode ser fundamental para sua saúde emocional.

Autocuidado para os pais:

Ao cuidar de si mesmo, você está modelando um comportamento saudável para seus filhos, eles aprenderão com o seu exemplo como gerenciar o estresse e as dificuldades emocionais. Portanto, o autocuidado não é apenas uma medida preventiva para os pais, mas também uma forma de ensinar aos jovens a importância de cuidar da saúde emocional e física ao longo da vida. Aqui estão estratégias importantes de autocuidado:

Reconheça seus Próprios Limites Emocionais:

É fundamental reconhecer que os pais têm limites emocionais e que é normal sentir estresse e preocupação em relação aos filhos. Aceitar seus próprios sentimentos é o primeiro passo para o autocuidado.

Busque Apoio Social

Não hesite em compartilhar suas preocupações com amigos, familiares ou grupos de apoio. Conversar com outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes pode ser reconfortante e oferecer perspectivas valiosas.

Estabeleça Limites Saudáveis:

Defina limites em suas responsabilidades parentais e evite o esgotamento. É importante lembrar que você não pode resolver todos os problemas dos seus filhos, e está tudo bem pedir ajuda quando necessário.

Cuide da Sua Saúde Física e Mental:

Priorize uma alimentação saudável, exercícios regulares e sono adequado. Além disso, reconheça a importância da sua saúde mental. Pratique atividades que o ajudem a relaxar e reduzir o estresse, como meditação, ioga, leitura, música ou qualquer outra atividade que lhe traga prazer.

Peça Ajuda Quando Necessário:

Não hesite em buscar orientação de um terapeuta ou conselheiro se estiver enfrentando dificuldades emocionais. Ter um espaço seguro para discutir suas próprias preocupações pode ser extremamente benéfico.

Evite a Culpa:

Muitos pais podem sentir culpa por não terem evitado problemas emocionais em seus filhos. No entanto, é importante lembrar que a saúde emocional dos jovens é influenciada por diversos fatores e não é responsabilidade exclusiva dos pais.

Esteja Presente e Conectado:

Mantenha uma conexão emocional com seus filhos. Esteja presente em suas vidas, ouça suas preocupações e esteja aberto ao diálogo. Apenas estar lá pode ser um dos maiores atos de apoio que você pode oferecer.

Valorização da Vida e Resiliência:

Ao equipá-los com as habilidades emocionais necessárias para enfrentar desafios e ao mostrar-lhes que a vida é valiosa, você está contribuindo significativamente para o bem-estar emocional de seus filhos e para a prevenção do suicídio.. Aqui estão estratégias que os pais podem utilizar para ajudar seus filhos a desenvolverem um forte senso de valor próprio e resiliência:

Mantenha a Comunicação Aberta:

Crie um ambiente familiar onde seus filhos se sintam à vontade para expressar seus sentimentos e pensamentos. Incentive-os a compartilhar suas preocupações e ouça com empatia.

Ensine Habilidades Emocionais: 

Ajude seus filhos a desenvolverem habilidades emocionais, como reconhecimento e expressão de sentimentos. Ensine-os a lidar com o estresse, a raiva e a tristeza de maneira saudável.

Construa Autoestima:

Incentive seus filhos a desenvolverem uma autoimagem positiva. Elogie seus esforços e conquistas, valorizando suas qualidades e habilidades únicas. Leia também sobre como promover a autoestima na infância e na adolescência.

Ensine a Lidar com a Frustração:

Explique que o fracasso faz parte da vida e que todos cometem erros. Ajude seus filhos a aprender com essas experiências em vez de se desanimarem.

Promova a Resolução de Conflitos:

Ensine habilidades de resolução de conflitos, incluindo a importância de expressar preocupações de maneira construtiva e ouvir atentamente os outros.

Mostre a Importância da Empatia:

Ajude seus filhos a desenvolver empatia, ensinando-os a se colocar no lugar dos outros e a compreender as emoções alheias.

Celebre as Pequenas Vitórias:

Celebre as conquistas e marcos de seus filhos, não importa o quão pequenos pareçam. Isso reforça um senso de realização e valor próprio.

Compartilhe Exemplos de Superar Desafios:

Compartilhe histórias de superação de desafios pessoais ou de figuras inspiradoras. Isso mostra que a resiliência é uma qualidade valiosa.

Incentive Atividades Positivas:

Incentive seus filhos a se envolverem em atividades que lhes tragam alegria e satisfação. Isso ajuda a construir um senso de propósito e realização.

Esteja Disponível:

Mostre a seus filhos que você está sempre disponível para apoiá-los em momentos difíceis. Sua presença constante é uma fonte valiosa de apoio emocional.

Atenção!

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

Ligue: 188 ou clique aqui e acesse o site.

Conclusão:

Neste mês de Setembro Amarelo, refletimos não apenas sobre a prevenção do suicídio, mas também sobre o amor, apoio e empatia que podemos oferecer aos nossos filhos todos os dias do ano. A prevenção do suicídio em crianças e adolescentes é uma responsabilidade que compartilhamos como pais e cuidadores, e é uma tarefa que requer sensibilidade, compreensão e ação.

Ao compreender os sinais de alerta, iniciar conversas abertas e cultivar a valorização da vida e resiliência em nossos filhos, estamos construindo uma base sólida para o seu bem-estar emocional. Lembre-se de que, em momentos desafiadores, é essencial buscar apoio profissional e comunitário.

Juntos, podemos criar um ambiente seguro, acolhedor e amoroso para nossos filhos, onde eles possam crescer, aprender e enfrentar os desafios da vida com confiança e resiliência. Lembre-se sempre de que você não está sozinho nessa jornada. Unidos, somos uma fonte de força e esperança para as gerações futuras.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

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Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

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