Sinais de autismo em bebês de 0 a 2 anos.

Será que dá pra perceber sinais de autismo em bebês? Nesse artigo, vamos explorar em detalhes o que é o autismo, por que a identificação precoce é tão crucial, quais são os sinais de autismo em bebês que podem ser observados na fase de 0 a 2 anos, como identificá-los em casa e o processo de diagnóstico e intervenção. Além disso, compartilharemos estratégias e recursos que podem auxiliar as famílias nessa jornada.

Meu nome é Miriam França, e além de ser mãe, sou psicóloga especializada em orientar pais na criação de seus filhos e na construção de rotinas familiares saudáveis. Se você é uma mãe ou um pai, que percebeu algo de diferente no comportamento do seu filho e suspeita que ele possa estar enfrentando desafios relacionados ao autismo, este artigo é para você.

O autismo, ou transtorno do espectro autista (TEA), é um tópico de grande importância e interesse para muitas famílias. É crucial entender que a intervenção precoce pode fazer toda a diferença no desenvolvimento futuro de uma criança com autismo. No entanto, muitos pais acreditam que certos atrasos ou comportamentos estranhos desaparecerão com o tempo e adiam a busca por ajuda profissional até que a criança tenha alguns anos de idade. O que não sabem é que durante esse período valioso, muitas coisas poderiam ser feitas para apoiar o desenvolvimento da criança e proporcionar a ela um futuro promissor.

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O que é Autismo?

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um transtorno do desenvolvimento que afeta a forma como uma pessoa percebe o mundo, interage com os outros e processa informações. É importante entender que o autismo é um espectro, o que significa que há uma ampla variação na forma como o transtorno se manifesta, desde quadros leves até mais graves.

O autismo é caracterizado por uma série de desafios, principalmente nas áreas de comunicação, interação social e comportamento. As pessoas com autismo podem apresentar interesses intensos em tópicos específicos, padrões de comportamento repetitivos e preferências por rotinas consistentes. Essas características podem ser observadas desde os primeiros anos de vida.

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Nos últimos anos, tem havido um aumento na conscientização e no diagnóstico do autismo. Os dados indicam que a prevalência do TEA tem aumentado, com mais crianças e adultos sendo diagnosticados com o transtorno. Isso pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo maior conscientização e melhorias na identificação precoce.

Pesquisas sugerem que o autismo tem uma base neurobiológica complexa. Fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos estão envolvidos na causa do transtorno. Estudos de imagem cerebral também revelaram diferenças na estrutura e funcionamento do cérebro de pessoas com autismo, particularmente em áreas relacionadas à comunicação e à cognição social.

O autismo pode influenciar significativamente a vida cotidiana de uma pessoa e de sua família. Desafios na comunicação e na interação social podem afetar as relações interpessoais, a educação e a participação na comunidade. No entanto, com o apoio adequado e intervenções específicas, muitas pessoas com autismo podem levar vidas plenas e significativas.

Sinais de Autismo em Bebês de 0 a 2 Anos

Os primeiros anos de vida de um bebê são cruciais para o desenvolvimento, e é nesse período que os sinais de autismo podem começar a se manifestar. É importante lembrar que a presença de um ou mais desses sinais não significa automaticamente que uma criança tenha autismo, mas pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada por profissionais de saúde especializados.

Falta de Contato Visual:

Bebês geralmente fazem contato visual com os cuidadores. No entanto, um sinal precoce de autismo pode ser a falta desse contato, muitas mães percebem no ato de amamentar. Bebês com autismo podem evitar olhar nos olhos dos outros, parecendo que o olhar “atravessa” a pessoa e ainda usar o olhar de forma diferente, olhando de lado por exemplo.

Dificuldade na Interação Social:

Bebês normalmente respondem às tentativas de interação. Bebês com autismo podem apresentar dificuldades na interação social, como não repetir gestos simples, como bater palmas ou dar tchau. Eles também podem não reagir às emoções das pessoas ao tentar fazê-los sorrir ou quando fazem caretas para eles.

Sensibilidade Sensorial:

Bebês com autismo podem demonstrar sensibilidade sensorial incomum. Isso pode se manifestar como desconforto constante, angústia e choro frequente, mesmo quando não há razão aparente. Essa sensibilidade pode estar relacionada a estímulos sensoriais como luzes, sons e toque físico.

Atraso no Desenvolvimento Motor:

O desenvolvimento motor é uma parte importante do crescimento de um bebê. Alguns bebês com autismo podem apresentar atrasos em relação a outras crianças da mesma faixa etária em marcos como engatinhar, ficar em pé com apoio ou começar a andar. Além disso, podem andar na ponta dos pés.

Rigidez Cognitiva:

Bebês com autismo podem demonstrar rigidez cognitiva, o que significa que eles têm padrões de comportamento rígidos. Eles podem insistir em fazer as coisas sempre da mesma maneira e podem ficar agitados quando a rotina diária é alterada, como na hora de dormir ou quando falta um objeto de conforto, como uma fralda ou brinquedo específico.

Distúrbios na Fala:

Muitos bebês com autismo podem demorar a desenvolver a fala. Antes de começar a falar, podem ter dificuldades em balbuciar ou emitir sons. Além disso, alguns podem começar a falar e depois regredir no desenvolvimento da fala. Esse é um sinal muito negligenciado pela crença de que a criança tem o tempo dela pra se desenvolver, o atraso na fala pode também ter outras causas além do autismo então é sempre importante a investigação.

Comportamentos Repetitivos:

Comportamentos repetitivos são uma característica comum em crianças com autismo. Isso pode incluir balançar as mãos, bater ou observar os dedos por longos períodos, fazer movimentos de pêndulo com o corpo, pular quando estão empolgados ou colocar objetos na boca repetidamente, muitas vezes como uma forma de autorregulação, para se acalmar.

Hiperfoco:

Desde cedo, as crianças com autismo podem demonstrar hiperfoco em assuntos ou brinquedos específicos. Isso significa que elas podem se concentrar profundamente em um único tópico ou atividade por horas a fio, muitas vezes ficando hipnotizadas por sua própria concentração.

Brinca de Forma Diferente:

Bebês com autismo podem brincar de maneira diferente em comparação com seus pares. Eles podem não usar os brinquedos de forma convencional, como virar um carrinho e brincar apenas com as rodas, ou podem se concentrar em aspectos específicos do brinquedo, como cor, tamanho ou forma e ainda enfileirar ou empilhar os brinquedos.

Dificuldade em Seguir Comandos:

Bebês com autismo podem parecer não ouvir quando são chamados. Eles podem não responder aos comandos simples que os cuidadores dão, como fechar uma porta ou beber água, devido à falta de comunicação e compreensão.

Falta de Empatia:

Bebês com autismo podem parecer que não se importam com as emoções dos outros. Eles podem não demonstrar empatia ao ver alguém triste ou angustiado. Isso geralmente ocorre porque eles têm dificuldade em entender as emoções dos outros e até a deles próprios. Aproveite as experiências vividas por eles para nomear as emoções e assim ele poder ligar expressões a emoções.

Como Identificar os Sinais de Autismo em Casa:

Identificar os sinais de autismo em bebês de 0 a 2 anos pode ser um desafio, mas os pais e cuidadores desempenham um papel fundamental na observação e no reconhecimento precoce desses sinais.

A observação atenta do comportamento do bebê é o primeiro passo. Os pais devem estar cientes de comportamentos incomuns ou padrões repetitivos que não são típicos do desenvolvimento. É importante acompanhar o desenvolvimento do bebê em relação a marcos importantes, como a capacidade de fazer contato visual, sorrir, balbuciar e alcançar marcos motores, como rolar, engatinhar e andar. Qualquer atraso ou regressão no desenvolvimento deve ser observado.

Manter um diário de comportamento pode ser útil. Registrar observações diárias sobre o comportamento do bebê, incluindo interações sociais, reações a estímulos sensoriais, comportamentos repetitivos e mudanças no desenvolvimento, pode ajudar a identificar padrões ao longo do tempo. E comunicar quaisquer preocupações com os profissionais de saúde do bebê, como o pediatra. Os profissionais de saúde podem realizar avaliações e encaminhar para especialistas, se necessário.

Conectar-se com outros pais que passaram por experiências semelhantes pode ser reconfortante e informativo. Grupos de apoio e comunidades online de pais de crianças com autismo podem fornecer suporte emocional e orientação prática.

Se os pais têm preocupações persistentes sobre o desenvolvimento do bebê e observam vários sinais de autismo, é fundamental procurar uma avaliação profissional. Isso geralmente envolve uma equipe multidisciplinar de especialistas, como pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e neurologistas infantis.

Se o diagnóstico de autismo for confirmado, esteja aberto à intervenção precoce. Terapias especializadas, como terapia comportamental, terapia da fala e terapia ocupacional, podem fazer uma diferença significativa no desenvolvimento da criança.

Processo de Diagnóstico e Avaliação:

A seção sobre o processo de diagnóstico e avaliação é fundamental para orientar os pais e cuidadores sobre como proceder após identificar sinais de autismo em bebês de 0 a 2 anos. Essa seção abordará os seguintes tópicos:

Equipe Multidisciplinar de Profissionais:

Ao suspeitar de autismo, é essencial reunir uma equipe multidisciplinar de profissionais de saúde e educação. Isso pode incluir um pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e, em alguns casos, um neurologista infantil. Cada profissional desempenha um papel importante na avaliação e no diagnóstico.

Avaliação Clínica:

A avaliação clínica é o primeiro passo no processo de diagnóstico. O pediatra ou médico realizará uma avaliação médica completa, incluindo histórico médico, exame físico e discussão de comportamentos e desenvolvimento da criança.

Os profissionais geralmente conduzem entrevistas detalhadas com os pais para entender o histórico de desenvolvimento da criança, comportamentos, marcos importantes e quaisquer preocupações específicas.

Observação do Comportamento:

A observação direta do comportamento da criança é uma parte crucial da avaliação. Os profissionais observarão como a criança interage, brinca, responde a estímulos e se comunica.

Testes e Avaliações Específicos:

Dependendo das observações e das informações coletadas, os profissionais podem usar testes e avaliações específicos para avaliar áreas como comunicação, habilidades sociais, comportamentos repetitivos e desenvolvimento cognitivo. Alguns exemplos incluem o M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) e o ADOS (Autism Diagnostic Observation Schedule).

Diagnóstico e Discussão:

Após a avaliação completa, os profissionais discutirão os resultados com os pais. Se um diagnóstico de autismo for confirmado, os pais receberão informações sobre o transtorno, suas características e próximos passos.

Um plano de intervenção personalizado será desenvolvido para a criança. Isso pode incluir terapias comportamentais, terapia da fala, terapia ocupacional e outras intervenções específicas para as necessidades da criança.

A jornada não termina com o diagnóstico. Os pais e cuidadores receberão apoio contínuo de profissionais de saúde e educação, bem como acesso a grupos de apoio e recursos para auxiliar no desenvolvimento da criança. O acompanhamento regular é fundamental para monitorar o progresso da criança e ajustar o plano de intervenção conforme necessário. Os pais devem manter contato próximo com a equipe multidisciplinar.

Educação e Advocacia:

Os pais também desempenham um papel importante como defensores de seus filhos. É importante buscar informações sobre o autismo, educação inclusiva e direitos legais para garantir que a criança tenha acesso a serviços e oportunidades adequados.

Estratégias de Intervenção e Apoio:

É importante destacar que cada criança é única, e o plano de intervenção deve ser adaptado às necessidades individuais. Aqui estão algumas das estratégias comuns de intervenção e apoio:

Terapia Comportamental:

A terapia comportamental, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), é uma abordagem amplamente utilizada no tratamento do autismo. Ela se concentra em ensinar habilidades sociais, de comunicação e de comportamento por meio de técnicas de reforço positivo.

Terapia da Fala:

Muitas crianças com autismo têm desafios na comunicação verbal. A terapia da fala ajuda a melhorar a fala, a linguagem e a comunicação não verbal, bem como a compreensão da linguagem.

Terapia Ocupacional:

A terapia ocupacional pode ajudar as crianças com autismo a desenvolver habilidades motoras finas, coordenação, habilidades de autoajuda e regulação sensorial. Isso pode facilitar o desempenho de tarefas diárias.

Educação Inclusiva:

Colocar a criança em um ambiente educacional inclusivo, quando apropriado, pode ser benéfico para o desenvolvimento social e acadêmico. Professores e equipe escolar treinados em autismo desempenham um papel fundamental.

Terapias Alternativas e Complementares:

Algumas famílias optam por terapias alternativas ou complementares, como terapia ocupacional aquática, equoterapia e musicoterapia. É importante discutir essas opções com profissionais de saúde.

Apoio Social e Grupos de Pais:

Participar de grupos de apoio para pais de crianças com autismo pode fornecer suporte emocional e compartilhamento de recursos. Também pode ser uma oportunidade para a criança interagir com outras crianças em situações sociais controladas.

Educação dos Pais:

Os pais desempenham um papel vital na implementação das estratégias de intervenção em casa. A educação contínua sobre o autismo e as técnicas de intervenção é essencial.

Conclusão:

A detecção precoce dos sinais de autismo em bebês e a intervenção adequada desempenham um papel crucial no desenvolvimento saudável da criança. É importante destacar que a presença de um ou mais sinais de autismo em um bebê não é um motivo para alarme, mas sim um chamado para a ação. Os pais e cuidadores desempenham um papel fundamental na observação desses sinais e na busca de apoio profissional quando necessário.

Ao compartilhar informações sobre a identificação precoce do autismo, esperamos que este artigo possa ajudar pais, cuidadores e profissionais de saúde a reconhecer e apoiar crianças com autismo desde os primeiros anos de vida, criando um caminho para um futuro mais brilhante e inclusivo para todos.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

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Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

 

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