12 Sinais de Autismo em Crianças.

Entender e identificar o autismo precocemente é essencial para garantir o melhor desenvolvimento possível da criança e para oferecer o apoio necessário a ela e à sua família. É por isso que este artigo se dedica a explorar os sinais de autismo em crianças com 2 anos ou mais, complementando as informações apresentadas no nosso episódio anterior, que focou nos sinais em bebês de 0 a 2 anos, se seu filho está nessa faixa etária clique aqui pra ler esse artigo.

Se quiser conferir esse conteúdo em vídeo e acompanhar mais dicas, visite nosso canal do YouTube. Clique aqui ou na imagem abaixo.

O autismo é um transtorno do desenvolvimento que tem ganhado cada vez mais atenção, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Com base nos dados divulgados pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) do governo dos Estados Unidos em março de 2023, 1 em cada 36 crianças de 8 anos são autistas, podemos estimar que aproximadamente 6 milhões de crianças no Brasil possam estar dentro do espectro. Isso representa um número significativo, e a conscientização sobre o autismo é mais importante do que nunca.

Meu nome é Miriam França, e além de ser mãe, sou  psicóloga, atuo na orientação de pais auxiliando na criação de seus filhos e na construção de rotinas familiares saudáveis. Se você é uma mãe ou um pai, que percebeu algo de diferente no comportamento do seu filho e suspeita que ele possa estar enfrentando desafios relacionados ao autismo, continua nesse artigo que eu trouxe 12 sinais de autismo em crianças que você pode identificar aí na sua casa.

Receba Conteúdos Exclusivos e Participe do Grupo no WhatsApp!



A Importância da Identificação Precoce dos Sinais de Autismo em Crianças:

A identificação precoce dos sinais de autismo em criança é crucial e pode ser considerada a chave para uma intervenção eficaz. Essa importância decorre de vários fatores fundamentais que afetam diretamente o desenvolvimento da criança e sua qualidade de vida. Vamos explorar por que a detecção precoce desempenha um papel tão significativo:

A Janela da Neuroplasticidade:

O cérebro das crianças é altamente plástico nos primeiros anos de vida. Isso significa que ele é mais maleável e capaz de se adaptar a novas aprendizagens e experiências. Durante esse período, a intervenção tem o potencial de moldar o desenvolvimento cerebral de maneira positiva. Portanto, quanto mais cedo os sinais de autismo forem identificados, mais cedo a criança pode começar a receber suporte e intervenção adequados para maximizar seu potencial de desenvolvimento.

Aquisição de Habilidades Essenciais:

Muitas das habilidades sociais, de comunicação e de interação são desenvolvidas nos primeiros anos de vida. Crianças com autismo podem enfrentar desafios nessas áreas, e a intervenção precoce pode ajudá-las a adquirir essas habilidades de maneira mais eficaz. Isso não apenas melhora sua capacidade de se comunicar e interagir com os outros, mas também aumenta sua qualidade de vida e a probabilidade de sucesso em atividades sociais, educacionais e futuras profissionais.

Qualidade de Vida da Criança e da Família:

A intervenção adequada não beneficia apenas a criança autista, mas também a família como um todo. O suporte e as estratégias proporcionados pela intervenção podem reduzir comportamentos desafiadores e melhorar o funcionamento diário da criança. Isso reduz o estresse e a ansiedade dos pais e cuidadores, resultando em uma melhor qualidade de vida para todos os envolvidos.

Integração Social:

Crianças com autismo que recebem intervenção precoce têm a oportunidade de se integrar melhor em ambientes sociais, como escolas e grupos de pares. Isso pode contribuir significativamente para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis e significativos ao longo da vida.

Sucesso Escolar:

A intervenção precoce prepara a criança para o sucesso na escola. Ter as habilidades de comunicação e aprendizado necessárias desde cedo pode fazer toda a diferença em termos de desempenho acadêmico. A criança estará mais bem equipada para enfrentar os desafios educacionais e aproveitar ao máximo suas oportunidades de aprendizado.

Redução de Desafios Comportamentais:

Com a intervenção adequada, é possível minimizar comportamentos desafiadores, como birras e agressão, que podem ser comuns em crianças com autismo. Isso torna a vida diária da família menos estressante e mais gratificante.

Autonomia e Independência:

A intervenção precoce ajuda as crianças com autismo a desenvolver habilidades que lhes permitirão ser mais independentes na vida cotidiana. Isso é essencial para promover uma vida mais autônoma à medida que crescem.

Sinais de Autismo em Crianças de 2 Anos ou Mais:

Os sinais de autismo em crianças podem evoluir e se manifestar de maneiras distintas. Identificar esses sinais nessa faixa etária é essencial para garantir que a criança receba o suporte e a intervenção necessários para promover seu desenvolvimento e bem-estar. Aqui estão alguns sinais comuns de autismo em crianças nessa faixa etária:

Falta de Contato Visual:

Um dos primeiros sinais de autismo é a falta de contato visual, que pode persistir na infância. A criança pode não manter o olhar nos olhos das pessoas durante as interações sociais. Mas também pode diminuir por conta da criança se forçar ou ser forçada a sempre olhar quando alguém fala com ela, antes do diagnósticos muitos pais e cuidadores exigem que o filho olhe no olho dele enquanto ele fala e com isso a criança cresce tentando disfarçar essa característica e isso traz sofrimento pro resto a vida pq ele cresce tentando disfarçar comportamentos que não são típicos. 

Isolamento Social:

Quando a criança entra na escola, os sinais de isolamento social tornam-se mais evidentes. Enquanto bebês, essa falta de interação pode ser notada na ausência de imitação e brincadeiras interativas. Na infância, a criança pode não brincar com outras crianças, se isolar durante o recreio e tem dificuldade em formar ou manter amizades.

Andar nas Pontas dos Pés:

O hábito de andar nas pontas dos pés é observado com frequência em crianças autistas. Isso pode ser uma maneira de lidar com a ansiedade ou a sensibilidade sensorial, pois focar na atividade de caminhar nas pontas dos pés pode proporcionar alívio emocional.

Distúrbios do Sono:

Muitas crianças autistas enfrentam distúrbios do sono. A sensibilidade sensorial pode torná-las hipersensíveis a ruídos, luzes e texturas de roupas de cama, dificultando o sono. A ansiedade também pode interferir no sono, causando dificuldade para dormir ou despertares noturnos frequentes.

Falta de Equilíbrio e Coordenação Motora:

A falta de equilíbrio e coordenação motora pode ser observada quando a criança parece desajeitada. Ela pode esbarrar em objetos, deixar itens caírem facilmente e até mesmo apresentar manchas roxas pelo corpo sem saber como as adquiriu. Isso pode estar relacionado a diferenças neurológicas nas áreas do cérebro responsáveis pelo processamento motor ou também a ansiedade, ficando tensa na maior parte do tempo ela não consegue se concentrar nas atividades e fica mais desastrada.

Sensibilidade à Dor Atípica:

Crianças com autismo podem ser hipo ou hipersensíveis a dor, ou seja, elas podem sentir menos ou mais dor do que outras crianças em situações semelhantes. Isso pode levar a dores crônicas não diagnosticadas, como enxaquecas ou dores no estômago. Além disso, podem não expressar adequadamente suas dores, exigindo que pais e cuidadores estejam sempre atentos aos sinais de desconforto.

Atraso na Fala ou Regressão:

Cerca de 50% das crianças com autismo não desenvolvem a linguagem de forma eficaz na fase dos 3 a 5 anos. Algumas crianças podem apresentar atraso na fala significativo, enquanto outras podem começar a falar normalmente e, de repente, perder a capacidade de comunicação. A ecolalia, que é a repetição de palavras ou frases, também pode ser observada, ou simplesmente o seu filho pode ser um autista não-verbal.

Estereotipias:

As estereotipias são movimentos repetitivos e involuntários. Crianças autistas podem realizar esses movimentos de forma inconsciente. Esses comportamentos não precisam ser excluídos da criança por serem movimentos que traz organização às emoções, a não ser que ele seja nocivo a ela trazendo lesões e risco pra sua saúde. As estereotipias normalmente persistem na adolescência e na idade adulta, exigindo conscientização para evitar que atrapalhem atividades diárias, como o trabalho.

Seletividade Alimentar:

A rigidez cognitiva pode se refletir nas preferências alimentares. As crianças autistas podem ser seletivas em relação a grupos de alimentos inteiros, cores, cheiros, texturas ou tipos de alimentos. Isso pode levar a dietas restritas e seletivas que podem requerer intervenção profissional.

Brincar de Forma Diferente:

Crianças com autismo frequentemente demonstram um interesse peculiar por brinquedos e brincadeiras. Elas podem usar os brinquedos de maneira não convencional, como alinhar os objetos, empilhá-los em padrões específicos ou focar em detalhes minuciosos, ignorando o propósito original do brinquedo. Esses comportamentos podem refletir a rigidez cognitiva e a necessidade de controle sobre o ambiente.

Apego a Brinquedos Específicos:

Muitas crianças com autismo desenvolvem um forte apego a brinquedos específicos. Elas podem insistir em ter um único brinquedo ou objeto de segurança que as acompanha constantemente. Esses objetos podem servir como fonte de conforto e segurança, fornecendo uma sensação de previsibilidade em um mundo que pode ser avassalador para elas.

Hiperfoco:

O hiperfoco é um aspecto intrigante do autismo. Trata-se de um intenso interesse e concentração em um tópico, hobby ou atividade específica. Alguns exemplos incluem:

  • Hiperfoco em Tópicos Específicos: Crianças com autismo podem se dedicar de maneira intensa a tópicos específicos, como trens, dinossauros, matemática ou qualquer assunto que as intrigue. Elas podem aprender tudo o que puderem sobre esse tema, buscar informações detalhadas e se envolver profundamente nele.
  • Busca de Referências e Informações: O hiperfoco muitas vezes envolve a busca constante de referências e informações sobre o tópico de interesse. Isso pode incluir a leitura de livros, assistência a documentários, pesquisas na internet e a busca por colecionáveis relacionados.
  • Tempo e Energia Dedicados: O hiperfoco pode consumir uma quantidade significativa de tempo e energia da criança. Elas podem passar horas explorando e se concentrando em seu interesse, muitas vezes em detrimento de outras atividades.
  • Potencial para Habilidades Específicas: Embora o hiperfoco possa parecer um comportamento obsessivo, ele também pode ser uma oportunidade para o desenvolvimento de habilidades excepcionais em áreas específicas.
Outros Transtornos:

Além dos sinais de autismo, muitas crianças com esse transtorno podem desenvolver comorbidades, que são transtornos adicionais que coexistem com o autismo. Alguns exemplos comuns incluem:

  • Ansiedade: Muitas crianças com autismo enfrentam ansiedade, que pode ser relacionada a mudanças na rotina, sensibilidades sensoriais e interações sociais.
  • TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade): Alguns indivíduos com autismo também apresentam sintomas de TDAH, como dificuldade de concentração e impulsividade.
  • Epilepsia: O autismo está associado a um risco aumentado de epilepsia, uma condição caracterizada por convulsões recorrentes.
  • TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador): Em alguns casos, crianças com autismo podem apresentar comportamentos desafiadores, como teimosia e oposição, que se enquadram no espectro do TOD.

Acompanhamento do Desenvolvimento:

Manter um registro do desenvolvimento da criança, incluindo marcos como fala, linguagem, habilidades motoras e interações sociais, pode ajudar a identificar atrasos ou desvios em relação ao desenvolvimento típico. Essa documentação pode ser especialmente útil ao discutir preocupações com profissionais de saúde.

O diálogo aberto com pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas e outros profissionais de saúde é essencial. Os pais e cuidadores devem compartilhar suas preocupações e observações com esses especialistas, buscando avaliações adequadas e orientação.

Manter uma comunicação constante com professores e educadores também é crucial. Eles podem fornecer informações valiosas sobre o comportamento da criança em ambientes escolares e sociais, identificando possíveis desafios e áreas de preocupação.

Além das trocas de experiências com outros pais e cuidadores que passaram por situações semelhantes, pode ser reconfortante e informativo. Trocar histórias e estratégias pode ajudar a obter insights valiosos sobre o desenvolvimento da criança e as melhores práticas de suporte.

Conclusão:

É importante lembrar que os sinais de autismo em crianças podem variar amplamente de um caso para outro. Portanto, a observação e o diálogo não apenas ajudam a identificar os sinais, mas também permitem que pais, cuidadores e profissionais adaptem sua abordagem de acordo com as necessidades específicas de cada uma delas.

A intervenção precoce é a chave para maximizar o potencial de desenvolvimento da criança autista. Quanto mais cedo os sinais são identificados e tratados, maiores são as chances de progresso positivo em áreas como comunicação, interação social, habilidades motoras e bem-estar emocional.

À medida que continuamos a aumentar a conscientização sobre o autismo, é fundamental que todos nós desempenhemos nosso papel na identificação precoce e no apoio a essas crianças, para que elas possam florescer e contribuir positivamente para o mundo.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

Se você encontrou este artigo útil, tem alguma sugestão ou gostaria de compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo. Adoraríamos ouvir sua opinião!

Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

Deixe um comentário