10 Sinais de Autismo em Meninas.

O autismo em meninas frequentemente exibem uma variedade de sinais que podem ser sutis, camuflados ou interpretados erroneamente como traços de personalidade. Resultando em diagnósticos tardios ou negligenciados.

Neste artigo, exploraremos atentamente 10 sinais de autismo que são particularmente relevantes quando se trata de meninas e mulheres. Estes sinais podem ser menos óbvios do que os estereótipos tradicionalmente associados ao autismo, como a falta de habilidades sociais ou interesses restritos, tornando-os ainda mais cruciais para a identificação precoce e o fornecimento de apoio adequado.

Reconhecer esses sinais é um passo fundamental em direção a um mundo mais inclusivo e informado sobre o autismo, onde todos, independentemente de seu gênero, tenham acesso ao apoio necessário para prosperar. Meu nome é Miriam França, sou mãe, psicóloga e atuo na orientação de pais auxiliando na criação dos filhos e na rotina familiar, vamos juntos entender uma pouco mais sobre esses sinais.

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Sinal 1 – A Timidez e a Quietude:

Comportamentos tipicamente observados em meninas muitas vezes se encaixam em padrões mais socialmente aceitáveis. A cultura frequentemente reforça a ideia de que os meninos podem ser mais bagunceiros e ativos, tornando assim mais fácil detectar quando eles enfrentam dificuldades na interação social e no isolamento.

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Por outro lado, as meninas podem desenvolver comportamentos peculiares devido às suas próprias dificuldades. Elas podem ter desafios ao lidar com grupos sociais, compreender nuances de conversas, interpretar duplos sentidos e serem mais literais em suas interações. Algumas podem se envolver em tópicos de conversa aparentemente aleatórios ou rir em momentos inesperados. Infelizmente, essas diferenças podem levar à exclusão social, com meninas frequentemente se sentindo diferentes desde muito cedo.

Essas experiências podem resultar em situações de bullying, o que faz com que algumas meninas se isolem para evitar ataques e críticas. Consequentemente, elas podem ser vistas ao longo da adolescência e na vida adulta como mulheres e meninas mais reservadas e tímidas, o que não reflete necessariamente sua verdadeira personalidade, mas sim uma estratégia de adaptação ao ambiente social.

Sinal 2 do Autismo em Meninas – Masking:

Algumas meninas, em vez de se isolar, optam por mascarar seus comportamentos. Elas desejam pertencer a grupos sociais, mas sentem que são diferentes dos outros membros. Para se encaixar, começam a imitar o comportamento de seus pares. Isso inclui fingir gostar das mesmas coisas e adotar uma maneira de falar semelhante à dos outros.

No entanto, esse esforço constante para não ser autêntica, essa pressão para se conformar aos padrões alheios, muitas vezes resulta em angústia interna e conflitos pessoais. Consequentemente, essas meninas crescem sem uma compreensão completa de sua verdadeira identidade e preferências, tornando-se menos conscientes de quem são e do que realmente apreciam em suas vidas.

Sinal 3 – Hiperfoco:

O hiperfoco é caracterizado pelo redirecionamento de todo o interesse, curiosidade e energia em direção a um único assunto ou objeto de fascínio. No caso das meninas, o hiperfoco pode ser mais prevalente e, muitas vezes, socialmente aceitável, passando despercebido como um sintoma de uma condição.

Essas meninas podem se envolver em hiperfocos variados ao longo de suas vidas. Na infância, isso pode se manifestar como uma intensa concentração em tópicos como princesas, frequentemente incentivada pelo número significativo de bonecas relacionadas a esse tema. Na adolescência, o hiperfoco pode se direcionar para a leitura, o que geralmente é encorajado como um hábito saudável. À medida que amadurecem para a vida adulta, o hiperfoco pode se manifestar em áreas como sua carreira profissional ou um interesse apaixonado por algum tópico atual.

Sinal 4 – Sensibilidade Sensorial:

Além das dificuldades sensoriais mais comuns, como a sensibilidade ao barulho, à luz e aos odores, bem como a seletividade alimentar com base em texturas, nas meninas, é possível observar desafios adicionais relacionados à sensibilidade tátil. Isso se manifesta na dificuldade de aplicar cremes no corpo, pentear os cabelos, tolerar etiquetas e escolher roupas e calçados adequados.

Essas dificuldades são frequentemente atribuídas ao fato de que as meninas e mulheres tendem a ser mais sensíveis ao toque e preferem uma pressão mais firme. Em roupas femininas, por exemplo, há uma ampla variedade de tecidos, muitos dos quais são leves e permitem sentir a movimentação no corpo, o que pode resultar em desconforto. Da mesma forma, os sapatos podem ser problemáticos, já que mesmo para aquelas que não estão no espectro do autismo, muitas vezes podem ser apertados e causar desconforto ou machucados.

Sinal 5 – Dificuldade de Entender as Intenções dos Outros:

Esse é um padrão frequente entre indivíduos autistas, que muitas vezes podem interpretar erroneamente as intenções dos outros. Por exemplo, podem acreditar que alguém é seu amigo quando, na realidade, essa pessoa está buscando se aproveitar deles.

No caso de adolescentes e mulheres autistas,  é comum que se envolvam em relacionamentos abusivos, tanto amorosos quanto de amizade. Isso ocorre devido à dificuldade em compreender as verdadeiras intenções das pessoas ao seu redor.

Essa falta de discernimento torna essas indivíduas mais vulneráveis a situações constrangedoras que outras podem evitar. Elas podem ser solicitadas a emprestar dinheiro sem a outra pessoa realmente precisar, ou até mesmo enfrentar abusos sexuais devido à sua incapacidade de entender alguns sinais que outras pessoas perceberiam, como insinuações de duplo sentido ou convites para locais suspeitos.

Isso se deve ao fato de que essas mulheres autistas geralmente confiam excessivamente e tendem a acreditar nas palavras das pessoas de forma literal, considerando-as verdadeiras.

Sinal 6 no Autismo em Meninas – Seletividade Alimentar:

Em casos de autismo em graus mais leves, quando o diagnóstico não é feito precocemente e os outros sinais são mais sutis, a seletividade pode ser interpretada como simples preferências. Por exemplo, uma criança que é particularmente exigente com sua alimentação pode ser vista apenas como alguém com gostos específicos.

Na adolescência, essa seletividade pode ser confundida com transtornos alimentares, como a anorexia. Isso ocorre frequentemente devido ao comportamento alimentar irregular das adolescentes, que muitas vezes é resultado de baixa autoestima e pressões relacionadas aos padrões estéticos.

É importante notar que muitas meninas e mulheres autistas recebem outros diagnósticos de saúde mental antes de serem identificadas como autistas. Isso pode incluir transtornos como ansiedade, depressão, bipolaridade e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Isso acontece porque os sinais do autismo são mais sutis e alguns profissionais podem se concentrar apenas nos sintomas pontuais, ignorando a investigação do autismo.

Falando sobre esses outros transtornos, a ansiedade é o que mais comumente afeta as meninas e mulheres autistas. Isso ocorre em parte devido à maior prevalência da ansiedade entre mulheres em geral, mas também devido às pressões sociais que as mulheres autistas enfrentam.

Elas são constantemente pressionadas a se comportar de acordo com as normas sociais, a se encaixar em grupos e a serem aceitas por suas amigas. Essa pressão eleva a ansiedade, já que precisam estar constantemente alertas para entender como as coisas ao seu redor funcionam e como devem se comportar.

Sinal 7 – Rigidez Cognitiva:

Elas tendem a preferir uma abordagem consistente em suas vidas, buscando manter uma rotina estável. Isso pode se manifestar por meio de rituais em suas atividades diárias, como a preferência por tomar banho no mesmo horário e reagir com desconforto, reclamações ou lágrimas diante de qualquer alteração nesse horário.

Demonstram afeição por determinados brinquedos na infância, enquanto, ao crescerem, podem se apegar a itens como travesseiros ou cobertores, optando por dormir sempre com os mesmos. Além disso, muitas vezes exibem traços de perfeccionismo e uma inclinação para manter extrema organização, colocando tudo meticulosamente em seus devidos lugares.

No ambiente de trabalho, podem enfrentar desafios quando confrontadas com pressões e demandas urgentes que requerem prioridade sobre suas tarefas planejadas. Isso ocorre devido à rigidez em sua abordagem, que torna difícil interromper o que estão fazendo para iniciar uma nova atividade.

Sinal 8 no Autismo em Meninas – Estereotipias:

Esses comportamentos repetitivos desempenham um papel importante na autorregulação emocional. Entre os mais comuns, estão o movimento de balançar as mãos, pular, girar ou realizar movimentos pendulares. Contudo, em meninas e mulheres autistas, esses comportamentos podem assumir outras formas, como mexer ou morder o cabelo, balançar a cabeça, se beliscar, ranger os dentes e outros comportamentos autolesivos que requerem atenção.

É fundamental ressaltar que, quando esses comportamentos não causam danos significativos, não é necessário reprimi-los. No entanto, é importante reconhecer que meninas que passaram por um processo de “masking”, podem desenvolver estereotipias que se assemelham ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Isso ocorre porque não tiveram a liberdade de autorregular suas emoções de outra maneira e, consequentemente, podem sentir a necessidade de repetir as mesmas ações várias vezes como um meio de lidar com suas emoções.

Sinal 9 – Brincar de Forma Diferente:

Os exemplos mais comuns de como as crianças autistas brincam muitas vezes envolvem usar os brinquedos de uma forma não-convencional. Isso inclui tanto meninos quanto meninas. Por exemplo, os meninos podem virar um carrinho de brinquedo para fazê-lo girar as rodinhas, enquanto as meninas podem usar um espelho como cama para suas bonecas.

Além disso, é comum observar comportamentos como alinhar brinquedos em fileiras, repetir a mesma atividade várias vezes, como trocar as roupas das bonecas repetidamente, ou classificar brinquedos por cor e mantê-los sempre nos mesmos lugares.

As crianças autistas também podem enfrentar desafios ao brincar de faz de conta, como jogos de casinha e comidinha, devido à dificuldade em compreender e participar de interações sociais imaginárias com outras crianças.

Sinal 10 no Autismo em Meninas – Distúrbios do Sono:

É frequente observar problemas de sono em indivíduos autistas, incluindo insônia, dificuldade em adormecer e manter o sono e terrores noturnos.

No autismo em meninas um dos problemas mais comumente relatados é a dificuldade em pegar no sono. Isso pode ser atribuído a níveis elevados de ansiedade, sensibilidade sensorial e auditiva acentuada. Elas geralmente têm dificuldade em desviar a atenção de pequenos ruídos ao tentar adormecer. O que significa que demoram mais para se sentirem confortáveis o suficiente para relaxar e adormecer.

Saiba Mais:

Aqui no nosso site você encontra artigos específicos para você identificar sinais de autismo em bebês (clique aqui), em crianças acima dos dois anos (clique aqui) e em adultos e adolescentes (clique aqui). Não deixe de conferir!

Conclusão:

A timidez e a quietude, discutidas como nosso primeiro sinal, são apenas um dos muitos comportamentos que podem ser observados em meninas/mulheres autistas. No entanto, junto com outros sinais como: masking, hiperfoco, sensibilidade sensorial, dificuldades de interpretação social, seletividade alimentar, rigidez cognitiva, estereotipias, brincar de forma diferente e distúrbios de sono, elas podem indicar a presença do autismo.

O reconhecimento precoce desses sinais é essencial para que as meninas recebam o suporte e os recursos de que precisam para se desenvolver plenamente.

Ao aumentar a conscientização sobre a diversidade da apresentação do autismo em meninas, esperamos que mais pessoas estejam preparadas para identificar esses sinais e buscar avaliações profissionais. Sejam eles pais, cuidadores, educadores ou profissionais de saúde,

Com a compreensão e o apoio adequados, cada pessoa autista tem a oportunidade de brilhar e contribuir para um mundo mais inclusivo e diversificado. É nosso dever coletivo continuar a promover a aceitação e a compreensão do autismo, capacitando aqueles que o vivenciam a alcançar seu pleno potencial.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

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Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

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