Agressividade no Autismo: Por que acontece e o que fazer?

Lidar com a agressividade no autismo pode ser desafiador, mas é importante entender que esses comportamentos geralmente surgem devido a uma série de fatores relacionados ao autismo e à comunicação.

Entender as causas subjacentes da agressividade é o primeiro passo para lidar com ela de maneira eficaz. Isso envolve observar o que desencadeia esses comportamentos, como mudanças na rotina, sensibilidades sensoriais, dificuldades na comunicação ou necessidades não atendidas. Uma abordagem individualizada é crucial, pois o que funciona para uma criança pode não funcionar para outra.

Meu nome é Miriam França, eu sou mãe, psicóloga, atuo na orientação de pais, auxiliando na criação de filhos e na rotina familiar. Nesse artigo eu trago as principais causas da agressividade no autismo e estratégias pra lidar e diminuir esses comportamentos.

Receba Conteúdos Exclusivos e Participe do Grupo no WhatsApp!



Causas da Agressividade no Autismo:

Primeiramente, é fundamental lembrar que o autismo é um espectro, o que significa que cada criança é única e apresenta suas próprias características e desafios. Muitas vezes, a agressividade em crianças com autismo pode ser uma forma de expressar frustração, ansiedade, medo ou desconforto. Geralmente esses comportamentos iniciam ou se intensificam por volta dos 4, 5 anos de idade.

Leia também os artigos sobre sinais de autismo em bebês, em crianças e em adolescentes e adultos.

Se quiser conferir esse conteúdo em vídeo e acompanhar mais dicas, visite nosso canal do YouTube. Clique aqui ou na imagem abaixo.

Rigidez Cognitiva:

Crianças com autismo frequentemente enfrentam desafios relacionados à rigidez cognitiva, uma característica marcante desse espectro. Em alguns casos, essa rigidez pode ser notavelmente estruturada.

É como se essas crianças criassem um “script” para suas vidas, e todos à sua volta precisassem segui-lo à risca. Qualquer desvio desse plano cuidadosamente traçado causa desconforto e sofrimento psíquico significativo.

Essa situação muitas vezes desencadeia crises de agressividade, que são manifestações da luta interior que essas crianças enfrentam. Compreender e apoiar essas crianças é essencial para ajudá-las a enfrentar esses desafios e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com suas emoções e ansiedades.

Busca por Atenção:

É comum que, diante desses comportamentos desafiadores, acabemos por direcionar muita atenção à criança. Tentamos explicar que o comportamento não é aceitável, alertamos que todos estão observando, e oferecemos uma série de repreensões e sermões. No entanto, essa abordagem pode, na verdade, intensificar o problema, transformando toda essa bronca e falação em uma forma de atenção.

É importante, sem dúvida, abordar e discutir esses comportamentos com a criança, ajudando-a a compreender por que são inapropriados. No entanto, é crucial fazê-lo no momento adequado, quando a criança estiver emocionalmente mais estável.

Em situações de crise, a criança está completamente alterada, suas emoções estão à flor da pele, sua fisiologia está alterada, e sua capacidade de concentração está prejudicada. Esse é um exemplo de como, quando alguém está com raiva, quanto mais agressivo se torna, menos consegue pensar e raciocinar, não é mesmo?

Portanto, o equilíbrio entre a necessidade de ensinar e corrigir comportamentos inadequados e o momento certo para fazê-lo é fundamental para apoiar a criança no desenvolvimento de habilidades sociais mais adequadas e na regulação emocional.

Dificuldade na Teoria da Mente:

Crianças com autismo frequentemente enfrentam desafios em compreender as ações, intenções e necessidades dos outros, o que pode afetar a sua percepção da situação como um todo. Para eles, é como se todos ao redor tivessem os mesmos sentimentos e desejos que ele, o que pode levar a uma confusão profunda. Essa confusão, por sua vez, muitas vezes resulta em explosões de raiva ou agressividade.

É crucial compreender que essas reações não vêm de um lugar de maldade, mas sim da dificuldade nas interações sociais. Portanto, é nosso papel, como pais, cuidadores e sociedade em geral, oferecer apoio, compreensão e estratégias para ajudar essas crianças a expressar suas necessidades de forma mais saudável e a se integrar harmoniosamente no mundo que as rodeia.

Função Sensorial:

Em crianças com autismo, muitas vezes testemunhamos comportamentos que podem parecer agressivos à primeira vista, mas é fundamental entender que, para elas, esse comportamento agressivo pode se tornar um estímulo, uma maneira de explorar e compreender o mundo ao seu redor.

Por exemplo, alguns autistas podem se bater para experimentar a sensação do tapa, jogar objetos no chão para ouvir um barulho alto e estridente, ou até mesmo bater em outra pessoa para tentar entender como essa pessoa se sente.

Portanto, ao lidar com tais comportamentos, é essencial abordá-los com compreensão, empatia e uma abordagem individualizada, visando ajudar a criança a canalizar seus impulsos de uma maneira mais adequada e segura.

Esquiva ou Fuga:

Quando uma criança com autismo exibe comportamentos agressivos, muitas vezes, está agindo como uma forma de autoproteção. Essa reação pode ser desencadeada por uma série de fatores, como a percepção de ameaças no ambiente ou situações aversivas que desejam evitar.

Imagine uma sala de aula quente, cheia e barulhenta, onde uma criança com autismo começa a manifestar comportamentos inapropriados. Em muitos casos, isso pode ser sua maneira de expressar desconforto e o desejo de sair daquela situação.

Nesses momentos, compreender o que vem depois desses comportamentos é fundamental para oferecer o suporte necessário e ajudar a criança a desenvolver estratégias mais eficazes de lidar com suas emoções e situações desafiadoras.

Algo Tangível:

A sobrecarga sensorial, a falta de descanso adequado e as demandas contínuas podem levá-los a recorrer à agressividade como uma forma de obter o que desejam.

Às vezes, como pais e cuidadores, nossa intenção é apenas proporcionar um momento de tranquilidade para a criança e para nós mesmos, e é fácil assumir que esses objetos são apenas um “prêmio” para acalmar a situação. No entanto, é crucial observar se, após esse comportamento, a criança tem acesso a algo tangível, como um celular ou um lanche, pois isso pode ser uma pista importante sobre o que realmente motiva seu comportamento.

O que pode parecer uma simples recompensa para nós pode ser a chave para ajudar a criança a se comunicar e lidar com suas emoções de uma maneira que funcione para ela.

Indicação de livro:

O livro O reizinho Autista traz um guia para orientar pais, familiares, cuidadores, educadores e escolas, e os ajudar a lidar com as crises de birra, desobediência, comportamentos inadequados e agressividade com dicas práticas e exemplos de outros casos. Pode ser o conhecimento que você está precisando pra essa fase.

Compre na Amazon clicando aqui.

O que Fazer pra Diminuir a Agressividade no Autismo:

Analisar o antecedente e a consequência desses comportamentos é o que vai te ajudar a identificar o porque isso acontece.

E como essa análise é feita?

Observe os seguintes pontos:

Onde ele inicia? O que estava acontecendo que pode ter gerado essa crise? No dia a dia essa criança está apanhando e reproduzindo? Ela não consegue se comunicar? Está num ambiente que faz ela se desorganizar? O que ele consegue depois do comportamento? Atenção, algo tangível, a fuga de alguma situação.

Feito essa análise você pode identificar o motivo da crise de agressividade no autismo, pode acolher sabendo desse motivo e colocando algo apropriado no lugar que motivou esses comportamentos.

Valide os sentimentos:

Diga que entende como ela está se sentindo, que realmente é frustrante não conseguir o que quer e que vocês está ali pra ajudar na busca pela calma e um caminho melhor pra aquela situação. Lembre-se, o sofrimento durante os momentos de agressividade é real.

Dê alternativas plausíveis:

Deixar ele decidir entre algumas opções pode ajudar a acalmar e a abrir negociações futuras, deixe ele usar seu poder de escolha em situações onde ele fica agressivo por não poder levar algo do supermercado por exemplo, pegue 2 opções de algum produto que já está na sua lista e deixe que ele escolha o sabor.

Reforce os bons comportamentos:

Elogie sua criança quando ele aceitar uma troca, quando conseguir se acalmar ou não ficar agressivo em situações que antes tiravam a paz dele, diga que vc está orgulhosa dele, que ele está evoluindo, aprendendo e crescendo, crianças querem crescer e usar isso como reforço positivo pode ajudar muito.

Contenção leve:

Para crianças que nesses momentos estão agredindo use uma contenção leve pra que eles não se machucarem ou atingir você ou outras pessoas. Atenção que essa contenção, segurar a criança não pode ser daquela forma bruta e nem por muito tempo.

Se ele está se batendo ou te batendo:

Segurar e abaixar as mãos por alguns segundos, se repetir aumente o tempo da contenção por mais segundos do que antes, vc pode precisar repetir umas 3, 4x ou o quanto for necessário naquela situação. Se o comportamento inadequado for por atenção não manter o contato visual pra não reforçar as crises de agressividade. Você fez e resolveu pra aquela situação mas depois surge outra recomece com o mínimo de tempo até resolver novamente.

No caso de morder:

Se possível tentar conter os movimentos por trás para evitar qualquer maneira dele te morder, se não conseguir, de frente pra ele você vai segurar pelo cotovelo ou ombro e se distanciar dele pra limitar os movimentos de tentar morder e mantenha por alguns segundos, e vá aumentando os segundo a cada vez que  precisar fazer a contenção.

No caso de cabeçadas:

A mesma coisa, segura pelo cotovelo ou ombro e dá uma certa distância pra diminuir o risco dela acertar o movimento e vai segurando falando e aumentando o tempo e contenção pra ajudar a criança a se acalmar e entender que esse comportamento não vai resolver o que está acontecendo.

Conclusão:

A agressividade no autismo envolve uma gama de comportamentos, como autoagressão e crises de raiva. Compreender as causas é crucial para intervenções eficazes.

Fatores como a rigidez cognitiva, busca por atenção, dificuldade na teoria da mente, função sensorial e esquiva/fuga podem contribuir. A análise dos antecedentes e consequências desses comportamentos é essencial.

Acolher emocionalmente, estabelecer limites claros e oferecer alternativas são estratégias-chave. Reforçar positivamente os comportamentos adequados e reconhecer o progresso são fundamentais para promover a autorregulação e a expressão saudável de emoções no espectro autista.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

Se você encontrou este artigo útil, tem alguma sugestão ou gostaria de compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo. Adoraríamos ouvir sua opinião!

Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

 

 

 

Deixe um comentário