Autismo: Causas, Sinais, Diagnóstico e Intervenção.

Tem sido observado um aumento nos diagnósticos de autismo em crianças, e frequentemente nos deparamos com a ideia de que o autismo “está na moda”, como se não existisse no passado. Contudo, essa percepção equivocada resulta da falta de informação, inclusive por parte de médicos e pediatras de épocas anteriores, que não tinham pleno entendimento do autismo e de suas características.

Com o progresso das pesquisas, os diagnósticos e as intervenções estão sendo feitos cada vez mais cedo, contribuindo para uma melhoria significativa na qualidade de vida das pessoas com autismo. Que antes eram aquelas pessoas vistas como estranha, que se escondiam ou eram escondidas, que faziam um grande esforço pra imitar comportamentos de pessoas que não estava na espectro pra assim parecem “normal” aos olhos delas.

Meu nome é Miriam França, eu sou mãe, psicóloga, atuo na orientação de pais, auxiliando na criação dos filhos e na rotina familiar. E eu trouxe esse artigo pra informar vocês sobre o autismo. Vamos falar um pouquinho sobre o que de fato é o TEA – Transtorno o Espectro Autista.

Receba Conteúdos Exclusivos e Participe do Grupo no WhatsApp!



O que é o Autismo?

A informação inicial crucial é que o autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento. Sendo assim, crianças dentro do espectro podem manifestar déficits na comunicação, tanto verbais quanto não verbais, resultando em atrasos na fala, dificuldades na consideração de expressões faciais, linguagem corporal e uma interpretação literal das palavras.

Se quiser conferir esse conteúdo em vídeo e acompanhar mais dicas, visite nosso canal do YouTube. Clique aqui ou na imagem abaixo.

Outro aspecto relevante diz respeito aos déficits nas interações sociais. Desde a infância, essas crianças podem não estabelecer contato visual, evitar interações com os outros, não imitar comportamentos e preferir ir brincar de forma isolada.

Além disso, manifestam-se padrões restritos e repetitivos de comportamento, incluindo movimentos estereotipados, interesses fixos e emoções sensoriais exacerbadas ou reduzidas.

É importante ressaltar que cada criança no espectro autista será impactada por esses desafios de diversas maneiras, manifestando intensidades e sinais específicos que resultaram em situações particulares.

O autismo não é considerado uma doença; é uma condição. Sendo assim, não possui cura. A criança nasce com o autismo e ele o acompanha até o fim da vida. Com base nos dados divulgados pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) do governo dos Estados Unidos em março de 2023, 1 em cada 36 crianças de 8 anos são autistas, podemos estimar que aproximadamente 6 milhões de crianças no Brasil.

Sinais do Autismo:

Os sinais de autismo se manifestam de maneiras distintas. Identificar esses sinais o mais precoce possível é essencial para garantir que a criança receba o suporte e a intervenção necessários para promover seu desenvolvimento e bem-estar.

Aqui no nosso blog temos artigos sobre os sinais de autismo separado por idade. Sinais de Autismo em Bebês, Sinais de Autismo em crianças de 2 anos ou mais e Sinais de Autismo em adolescentes e adultos. Temos ainda um artigo sobre Sinais de Autismo em meninas. Depois de terminar de ler sobre o que é o Autismo não deixe de conferir os seus sinais.

Alguns dos sinais mais comuns são:

Falta de contato visual:

Esse é considerado um sinal precoce de autismo, podendo ser percebido desde a amamentação. Bebês com autismo podem evitar olhar nos olhos dos outros, parecendo que o olhar “atravessa” a pessoa e ainda usar o olhar de forma diferente, olhando de lado por exemplo.

Isolamento social:

Quando a criança entra na escola, os sinais de isolamento social tornam-se mais evidentes. A criança pode não brincar com outras crianças, se isolar durante o recreio e tem dificuldade em formar ou manter amizades.

Sensibilidade sensorial:

Crianças com autismo podem ser hipo ou hipersensíveis aos estímulos sensoriais como: como a sensibilidade ao barulho, à luz e aos odores, bem como a seletividade alimentar com base em texturas e a sensibilidade tátil como também suportar e gostar de barulhos altos e estridentes, texturas diferentes e luzes e cores brilhantes que trazem mais estímulo.

Atraso na fala:

Algumas crianças podem apresentar atraso na fala significativo, enquanto outras podem começar a falar normalmente e, de repente, perder a capacidade de comunicação. Ou simplesmente o seu filho pode ser um autista não-verbal.

Movimentos repetitivos:

Esses movimentos repetitivos e involuntários são as estereotipias. Crianças autistas podem realizar esses movimentos de forma inconsciente. As estereotipias normalmente persistem na adolescência e na idade adulta.

Seletividade alimentar:

As crianças autistas podem ser seletivas em relação a grupos de alimentos inteiros, cores, cheiros, texturas ou tipos de alimentos.

Brincar de forma diferente:

Elas podem usar os brinquedos de maneira não convencional, como alinhar os objetos, empilhá-los em padrões específicos ou focar em detalhes minuciosos, ignorando o propósito original do brinquedo.

Hiperfoco:

Que se trata de um intenso interesse e concentração em um tópico, hobby, objeto, animal ou atividade específica. Que pode consumir uma quantidade significativa de tempo e energia da criança.

Falta de coordenação motora:

Ela pode esbarrar em objetos, deixar itens caírem facilmente e até mesmo apresentar manchas roxas pelo corpo sem saber como as adquiriu.

Distúrbios do sono:

A sensibilidade sensorial pode torná-las hipersensíveis a ruídos, luzes e texturas de roupas de cama, dificultando o sono, assim como a ansiedade.

Comunicação literal:

Pessoas com autismo tem grande dificuldade em entender tons de voz, ironia, sarcasmo, leitura das expressões faciais corporais, por isso entendem tudo ao “pé da letra”.

Causa do Autismo:

A causa do autismo não é única e vem de uma complexa interação entre fatores genéticos e condições ambientais como mutações espontâneas em genes recebidos tanto da mãe, quanto do pai. Pode vir da hereditariedade, inclusive pais e mães chegam ao seu diagnóstico tardio por conta da investigação do filho, ter irmãos com autismo tb é um forte fator de risco. O ambiente tb está relacionado a essas condições, fatores que impactaram o feto como substâncias químicas, estresse excessivo, infecções graves e outras complicações durante a gravidez.

O DSM 5 que é o Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais rotula esse transtorno como um espectro por ele poder se manifestar em diferentes níveis de intensidade e múltiplos sinais que se diferencia entre os portadores.

Níveis de autismo:

O nível 1 de suporte também chamado de Autismo leve;

O nível 2 de suporte, chamado de moderado;

E o nível 3 de suporte, chamado de severo.

Os graus não determinam se a pessoa é menos ou mais autista e sim os suportes e intervenções que ele vai precisar durante a vida.

Então se vc precisar estar com o seu filho durante todo o dia fazer tudo e ele é totalmente dependente é mais provável que ele esteja no nível 3 de suporte. Se você precisar ajudá-lo mas ele tem uma certa independência ele pode se encaixar no nível 2 e se ele for mais independente, conseguir realizar a maioria das tarefas do dia a dia sozinho o caso pode ser de nível 1 de suporte.

Uma criança diagnosticada precocemente com grau 3 de suporte com as intervenções e acompanhamentos necessários pode avançar pro grau 2 e até 1. Assim como, crianças que não forem diagnosticadas e não receberem apoio necessário pro seu desenvolvimento podem regredir com o passar dos anos.

Diagnóstico e Intervenção:

O diagnóstico do Autismo é majoritariamente clínico, ou seja, é feito por meio da observação direta do comportamento do paciente, além de entrevistas com os pais ou cuidadores.

A condição não pode ser identificada em exames de imagem ou sangue, com o avanço das pesquisas estão sendo usados exames para avaliar a questão de alguns genes que já são confirmados em relação ao autismo, porém só o exame não traz diagnóstico, a avaliação comportamental ainda é essencial.

O autismo também pode vir acompanhado de comorbidades como o transtorno intelectual, o de linguagem, ansiedade, depressão, TDAH, TOD, epilepsia entre outros.

Se você está percebendo que o seu filho não está se desenvolvendo plenamente procure ajuda profissional especializada o mais rápido possível, não espere o tempo passar. Converse com o pediatra que o acompanha para que ele possa fazer o encaminhamento pros outros profissionais.

Falando sobre Intervenção:

É importante ter uma equipe multidisciplinar com pediatra, neurologista ou psiquiatra, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos pra avaliar o avanço e os atrasos em diversas áreas do desenvolvimento.

E, ainda mais crucial, os profissionais precisam realizar uma avaliação individualizada, compreendendo o como cada criança funciona, identificando as áreas em que ela necessita de mais apoio e idealizando como a intervenção será incluída.

Conclusão:

Os avanços nos estudos possibilitaram diagnósticos mais precoces, resultando em melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas no espectro autista. Logo, é fundamental compreender que o autismo não é uma doença, mas sim uma condição, e, portanto, não possui cura.

O compartilhamento de informações sobre os sinais de autismo desde os primeiros anos de vida é essencial, demonstrando um esforço para conscientizar um público mais amplo.

Por isso, não deixe de compartilhar essas informações nas suas redes sociais e com amigos e amigas. Assim, a gente constrói uma grande rede de informação pro máximo de famílias, em prol das crianças que estão por por aí precisando de intervenções específicas pra alcançar o seu pleno desenvolvimento.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

Se você encontrou este artigo útil, tem alguma sugestão ou gostaria de compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo. Adoraríamos ouvir sua opinião!

Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

Deixe um comentário