Criança com Medo de Tudo: Saiba o que Fazer.

Se você, mãe, pai ou cuidador está aqui, é porque provavelmente já se deparou com as consequências negativas que a criança com medo de tudo pode enfrentar e precisa de ajuda pra acolher e passar por esses desafios junto com o seu pequeno ou com a sua pequena.

E para isso, eu, como psicóloga que atuo na orientação de pais, auxiliando na criação de filhos e na rotina familiar, estou aqui para guiá-la nesse caminho, oferecendo informações, estratégias e, acima de tudo, apoio.

Vamos conversar sobre o que é esse “medo” que parece crescer junto com nossos filhos, entender como ele se transforma ao longo das diferentes idades e, o mais importante, descobrir maneiras amorosas de ajudar nossos pequenos a superar cada desafio.

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O que é o Medo:

O medo é tão natural quanto os sorrisos bobos que enchem nossos dias. É uma reação primitiva, um alerta de que algo pode ser desconhecido ou um pouco intimidador. Na verdade, é uma prova de que os pequenos estão atentos ao mundo ao seu redor, prontos para aprender e crescer.

Então, quando seus filhos pulam na cama com olhos arregalados, convencidos de que há um monstro embaixo, lembrem-se: o medo deles é uma linguagem, uma tentativa de decifrar um mundo que ainda é novo demais para eles.

O medo é um sentimento natural que nos acompanha durante toda a vida e nós precisamos aprender a lidar com ele para que ele não nos paralise. Cada etapa da nossa vida traz certos medos, principalmente na infância que é o assunto desse artigo.

Quando falamos de criança com medo de tudo, não estamos apenas lidando com sombras e monstros imaginários, mas sim com emoções genuínas que merecem nosso carinho e compreensão.

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Entendendo a Criança com Medo de Tudo por Idade:

Vamos explorar como os medos evoluem ao longo das diferentes fases da infância. Lembrem-se, cada medo é uma oportunidade para fortalecer o vínculo emocional com nossos pequenos.

Bebês de 0 a 2 anos:

Desde bebês a gente percebe os medos se materializando, por exemplo: medo de barulho alto, de luzes muito forte, de movimentos bruscos. A partir dos 7, 8 meses até a fase dos 2 anos o bebê começa a sentir o medo de se afastar dos pais, principalmente da mãe, fase que chamamos de angústia de separação. Isso, porque ainda não há nenhuma noção do retorno após o afastamento, falta temporalidade, é como se saiu da vista dele não existisse mais.

Fase dos 2 aos 5 anos:

Aqui é onde a mente das crianças começa a criar asas. Medos de criaturas esquisitas ou fantasmas podem surgir, alimentados pelas histórias e desenhos animados. Monstros imaginários e escuro podem se tornar inimigos assustadores. Se seu filho pede para você checar embaixo da cama ou insiste em dormir com a luz acesa, não tema, isso é absolutamente normal!

Pode ser que surja também nessa fase. o medo em ficar em cômodos vazios, sem nenhum adulto ou outra criança por perto, eles podem precisar de companhia pra ir ao banheiro, pra pegar uma água na cozinha e pode te acompanhar feito uma sombra em cada lugarzinho que você vá.

Fase dos 6 aos 9 anos:

Crianças maiores tem medos do dia a dia, como um cachorro grande, medo de insetos, medo do ladrão porque a gente comenta sobre assaltos, as crianças ouvem as mesmas notícias que nós da televisão, medo de pessoas estranhas, medo de chuva, de tempestade, medos de doenças, da morte.

Um medo muito comum nessa fase é o de personagens mais próximos da realidade, crianças que assistem mais televisão, filmes, séries e jogos podem desenvolver medo de zumbis, lobisomens, ladrões e os monstros que antes eram caricaturados sem forma específica agora tem forma humana.

Por mais que eles se achem grandes o suficiente pra absorver todo esse conteúdo, isso ainda vai afetar seus medos pois ainda tem uma falha em diferenciar aquilo tudo que ele viu da vida real.

Fase dos 9 a 12 anos:

À medida que as crianças se aproximam da adolescência, os medos sociais podem surgir.

A chegada da adolescência em sua si, a pressão de se encaixar em grupos, o receio de ser julgado pelos colegas, todas essas e outras preocupações da idade podem causar pânico e medo.

Independente da faixa etária:

Um parênteses que a gente precisa abrir aqui independente de idade é do exemplo de como você reage aos seus medos, o medo pode ser passado dos pais pros filho. Em outras palavras, as criança tem na gente o porto seguro delas, se nós, adultos, grandes e fortes temos medo de algo e transparecemos esse medo eles automaticamente ficam com medo de tal coisa também.

Como Ajudar Criança com Medo de Tudo:

Um dos grandes desafios da maternidade é lidar com os medos dos nossos pequenos. Aqui estão algumas dicas para te guiar nessa jornada. Cada passo que você der para apoiar seu filho em relação aos medos contribuirá para o crescimento deles.

O adulto de referência precisa estar sempre presente:

Antes e aplicar qualquer estratégia, o apoio é fundamental. O adulto de referência é aquele que a criança confia, que ela procura nessas horas de pânico. Sendo assim, acolha a criança independente da idade, abrace, beije mas também fale sobre o assunto, converse sobre o que está causando medo. Não é supervalorizar mas sim dar importância pro sentimento que seu filho está sentindo naquele momento e procurar entender o motivo percursor do medo.

Nessas conversas, explique que ter medo é comum, todo mundo tem, dê exemplos de coisas que você tem ou já teve medo e quais foram as suas estratégias de enfrentamento, como você superou aquilo, contar suas experiências vai acalmar a criança e ajudar a ela a entender que qualquer pessoa pode sentir medo.

Usar livros:

A maioria das crianças aceitam muito bem o aprendizado por historinhas e aí vc pode usar os livros pra ajudar em muitas questões de transições durante a vida e também no reconhecimento das emoções como o medo

Um livro que eu sempre indico é o “Quem tem medo de que?“, ele explica que o medo é comum para todos. As crianças gostam muito pois percebem que não estão sozinhas com esse sentimento.

Um segundo livro que eu gosto também é o “Eu e meu Medo“. Aqui o medo ganha a cara de um bichinho que a menina carrega sempre com ela, que as vezes a protege e as vezes atrapalha também. Dar essa materialidade pra algo que não da pra ver ajuda muito as crianças a entender os sentimentos.

Materializar o medo:

Uma atividade bem legal de fazer com as crianças menores, vocês juntos desenham como é esse monstro ou o bicho que causa o medo, eles acabam vendo que não é tão ruim assim, manipulam, vc pode incentivar eles a rasgarem, fazer bolinha pra mostrar que são mais fortes que o medo.

Apagar as luzes juntos:

Quando o medo é de escuro leve a criança pra ir apagando as luzes aos pouco junto com você, deixe que ela mesma aperte o interruptor, podem ir fazendo uma contagem regressiva no final deixe uma luz sempre acessa pra dar uma certa confiança, ensine a própria criança a acender a luz como uma forma de enfrentamento.

Brincadeiras:

Se o seu filho tem medo de ficar sozinho em outro cômodo da casa você pode usar brincadeiras pra ir treinando e aumentando a confiança dele como a técnica do barbante que você fica com o rolo e da a ponta pra criança e pede a ele que vá até outro cômodo, alerte que você ficará segurando a outra ponta e quando ele chegar lá dar 3 puxões no barbante daí você responde puxando 3x também e podem ir criando suas próprias regras.

Uma outra brincadeira é da imitação, você pede pra ele ir a outro cômodo e você faz algum barulho como: bater palmas, dar gritinhos, falar uma frase e peça a ele que repita igualzinho. Aos poucos ele entende que mesmo você não estando aos olhos dele estará sempre por perto

 Adaptação:

Pra medo de coisas diferentes e novidades como brinquedos barulhentos que se mexem que você achou que iria fazer sucesso mas a criança parece que odiou e morre de medo.

Antes de esconder ou jogar o brinquedo fora, experimente fazer o processo de adaptação, você desliga ou tira a pilha, oferece ele desligado, deixa ele se acostumar, outro dia tente mexer mesmo desligado mostrando que ele se movimenta e quando ele tiver acostumado e ficar curioso pra ver os movimentos você liga novamente. Tudo isso no tempo da criança.

Comunicação aberta:

Para medo sociais ali próximo da adolescência conversas abertas, com instruções, aceitação de si mesmo e uma pitada de bom humor podem ajudar essa fase complicada de transição. Novamente conte histórias de situações semelhantes que você enfrentou, enfatizando como superou os medos.

Atenção!

2 recados super Importantes! Que devemos ficar sempre atentos em relação a nossa observação, como agimos e o que fazer.

Não usar medo como chantagem:

A criança tem medo de cachorro por exemplo, não falar pra criança comer tudo senão o cachorro vai comer, explique sempre os motivos de uma alimentação saudável e balanceada.

A criança não quer dar a mão no shopping você fala que ela tem que ficar perto senão o homem do saco pega. Não! Você explica o motivo de ter que ficar junto, o shopping está cheio, pra gente não se perder um do outro precisamos andar juntinhos.

Quando buscar ajuda profissional como o psicólogo infantil?

Quando o medo é muito exagerado, tem muito choro e desespero, mudanças significativas no comportamento, pesadelos frequentes, recusa em ir à escola ou isolamento, e causa outros sintomas como a ansiedade, sintomas físicos como dor de cabeça, suor, palpitações aí são sintomas a mais e o acompanhamento precisa ser personalizado pra ajudar a criança a passar por aquele medo.

Para saber outros motivos para levar seu filho ao psicólogo clique aqui e leia o artigo “Terapia Infantil: Sinais de alerta.

Conclusão:

Ao longo das diferentes fases da infância, os medos evoluem, transformando-se em sombras imaginárias, monstros debaixo da cama e preocupações mais palpáveis. Cada estágio oferece oportunidades para fortalecer nosso vínculo emocional com os pequenos, proporcionando um ambiente seguro para enfrentar e superar esses desafios.

Com comunicação aberta, histórias pessoais apoio incondicional, utilizar livros, materializar o medo e empregar atividades lúdicas e estratégias práticas, podemos ajudá-los a compreender e superar esses medos de maneira amorosa. No entanto, é crucial evitar o uso do medo como chantagem, promovendo sempre um ambiente de segurança e confiança.

Seja paciente com seu filho e também consigo mesmo, celebre cada pequena vitória. Saiba que, ao enfrentar os medos junto com seus filhos, você está construindo uma base sólida para um futuro emocionalmente saudável. Estou aqui para apoiá-los a cada passo do caminho. Juntos, podemos transformar o medo em oportunidade de crescimento e fortalecimento.

Esperamos que este artigo tenha fornecido insights valiosos.

Se você encontrou este artigo útil, tem alguma sugestão ou gostaria de compartilhar suas experiências, deixe um comentário abaixo. Adoraríamos ouvir sua opinião!

Sobre a autora: Miriam França é uma psicóloga formada com especialização em Orientação Familiar. Com sua experiência e conhecimento, ela dedica-se a auxiliar os pais na promoção do desenvolvimento saudável e feliz de seus filhos. Para mais informações, acesse o site www.caminhofamiliar.com.br.

Este artigo é apenas para fins informativos e não substitui a orientação de um profissional da saúde ou psicologia. Consulte sempre um especialista para obter orientação personalizada.

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